quinta-feira, 10 de agosto de 2017

"Quanto tempo você esperaria pelo amor da sua vida?" - Resenha do livro "O Navio das Noivas" - Jojo Moyes

Jojo Moyes já declarou algumas vezes que gosta de criar personagens femininas fortes, mas foi durante uma despretensiosa conversa com a sua avó, que ela teve a inspiração para escrever O Navio das Noivas. A autora já era adulta quando descobriu a travessia que a avó australiana encarou para encontrar o marido após a Segunda Guerra Mundial. 

A partir desse bate papo, Jojo começou a imaginar um livro que falasse sobre a viagem dessas mulheres, que corajosamente embarcaram em um porta - aviões para rever os seus amores. Betty Mckee, avó de Jojo, tinha 22 anos quando decidiu abandonar a Austrália para reencontrar o namorado Eric, um oficial da Marina Escocesa com quem tinha convivido por apenas duas semanas. Betty viajou por quase dois meses com mais de 600 mulheres, que dividiam com ela o mesmo sonho: retomar a vida e encontrar os soldados por quem haviam se apaixonado antes do fim do conflito.
 

Com o relato da avó na cabeça, Jojo pesquisou o nome do navio (HMS Victorious), mas não conseguiu encontrar nada. Alguns dias depois, mesmo achando que talvez a avó estivesse equivocada, Jojo descobriu um livro sobre a embarcação e assim a trama de O Navio das Noivas começou a tomar forma. 

A autora deu início então a uma grande pesquisa. Coletou jornais de época que noticiaram a partida dessas mulheres, leu diários de bordo das viajantes, passou horas dentro da Biblioteca Nacional Inglesa e visitou o Imperiam War Museum, museu em Londres que reúne memórias da guerra. Assim surgiu a obra que vamos falar nesta resenha, originalmente publicada em 2005. 

O livro reúne as citações não ficcionais das esposas e dos oficiais que inspiraram Jojo a contar a história de quatro personagens fictícias que tiveram a mesma coragem de sua avó em 1946. O Navio das Noivas é um emocionante romance sobre o amor nos tempos de guerra. 

Em 1946, após o término da segunda guerra mundial, a Marina Real finalizou a etapa do repatriamento das esposas de guerra, aquelas mulheres e meninas que haviam se casado com oficiais ingleses em serviço no exterior, e que os tinham visto apenas algumas vezes, o suficiente para se apaixonarem perdidamente e idealizarem um futuro romântico juntos. 

A maioria dessas esposas deixadas para trás seguiram para o seu novo destino em navios de transporte de tropas, que foram transformados em cruzeiros de luxo para atenderem às suas necessidades femininas. No entanto, cerca de 655 australianas fizeram essa travessia a bordo do porta-aviões HMS Victoria. E é exatamente sobre este Navio e estas mulheres que o livro trata. 

Elas tiveram a companhia de mais de mil e cem homens, além de dezenove aviões, em uma viagem que durou aproximadamente seis semanas. Para comportar a nova tripulação, modificações foram feitas na embarcação que se encontrava decrépita. Os antigos elevadores foram transformados em novos dormitórios onde beliches foram instalados e um salão de beleza construído. Além disso, diariamente eram oferecidos cursos de pintura, corte e costura. Filmes eram transmitidos em um cinema improvisado e o capelão do local ministrava palestras ensinando àquelas mulheres como serem boas companheiras para os seus esposos. 

A histeria coletiva iniciou no momento em que elas embarcaram no Victoria. Enquanto umas demonstravam extrema felicidade, outras caíam aos prantos se dizendo estarem arrependidas. Quem afinal lhes garantiria uma vida plena e feliz assim que pisassem na Inglaterra?

Margaret era uma delas. Grávida e quase dando à luz, não se conformava de ter deixado o pai sozinho com os irmãos mais novos, sendo que morria de medo de ser mal recebida pela sogra, que não a conhecia. Para amenizar seu sofrimento, ela cometeu uma irregularidade muito grave ao levar a sua cachorrinha consigo. Tendo que lidar com as suas mudanças de temperamento em razão dos hormônios a flor da pele, o excesso de peso devido a gravidez e o estranhamento sentido em relação a si mesma, Margaret terá muito tempo para repensar acerca da gravidez, enquanto faz de tudo para deixar a sua cadelinha escondida e a salvo dentro do navio. 

Jean, por sua vez, está realizada. Finalmente livre das guarras da mãe, se sente muito a vontade em meio a tantos homens e não resiste em cantá-los o tempo todo, quando a sua pouca idade e postura sedutora em demasia a coloca em extremo risco. 

Avice está horrorizada com o cenário à sua frente. Vinda de uma família nobre, jurava que viajaria em um dos cruzeiros de luxo, e fez questão de levar todos os seus sapatos novos para causar inveja nas demais. Quando se viu presa em uma minúscula cabine com outras três caipiras e uma cachorra, enlouqueceu. Mas é claro que Avice não deixaria transparecer sua desgraça aos seus pais, a quem escrevia com frequência inventando mil mentiras sobre a sua "maravilhosa" estadia em alto mar. Para quem estava com um futuro traçado na ponta do lápis, Avice tem seu tapete arrancado debaixo de seus pés, e é uma das que terá o maior aprendizado nesta literalmente viagem da vida. 

Já Frances, esconde um grande segredo por trás de seu comportamento ilibado e reservado. Findada a guerra, estava indo para a Inglaterra em busca de um novo emprego, como enfermeira, e carrega na bagagem uma vasta experiência por conta dos campos de batalha. Mal sabia ela que o maior desafio que iria enfrentar seria ali, naquele navio, e que para recomeçar, teria que de uma vez por todas fazer as pazes com o seu passado. 

Narrado em terceira pessoa, O Navio das Noivas começa com um prólogo interessante, em que conhecemos uma senhora que está viajando nos dias atuais com a neta pela Índia, e em um dos passeios, se depara com a carcaça do Victoria e passa muito mal. É a partir deste incidente que a história é contada e mergulhamos no ano de 1946 e somos apresentados a Margaret, Jean, Avice e Frances. 

Durante a leitura acompanhamos a rotina e o funcionamento do Victoria, bem como tomamos conhecimento sobre a sua trajetória, ganhos e perdas. A sensação é que também estamos a bordo, sentindo o calor escorrendo pelo corpo devido as altas temperaturas relatadas, ouvindo as incessantes instruções e anúncios no alto-falante, operando os gigantes motores na sala de máquinas e curtindo noites de bebedeiras e pôquer nas cabines dos subalternos. 

Outro ponto interessante de atenção é o relacionamento que vai sendo construído entre os homens e as mulheres, que são obrigados a dividir o pequeno espaço do navio por muitas semanas. De inicio, as jovens senhoras eram vistas com olhos de preconceito, como objetos e cargas a serem transportadas. É nítido como elas são inferiorizadas, ridicularizadas e não levadas a sério, apenas por terem nascido com o sexo feminino. 

Enquanto eu rumava para o final do livro, consegui identificar afinal quem era a protagonista da história, a senhora do começo do livro que entra em choque na Índia ao ver um destroço do navio, e tudo vai se encaixando de uma maneira muito simples, porém extremamente carregada de sentimentos. O Navio das Noivas nos mostra, de maneira muito delicada, profunda e inteligente, o quanto as guerras são capazes de transformar pessoas, para o bem e para o mal, deixando muitas ocas por dentro, sem rumo e sem esperanças. 

Mas, mas do que isso, o livro fala exatamente sobre esperança. 

A esperança corresponde à aspiração de felicidade existente no coração de cada pessoa. Interessante observar que quem perde a esperança mais profunda perde o sentida de sua vida. A esperança é a vacina contra o desânimo e contra a possibilidade de invasão do egoísmo, porque apoiados nela nos dedicamos a construção de um mundo melhor. A esperança é o combustível da vida. Ninguém vive se não espera por algo bom, que seja bem melhor do que o que já conhece, já possui ou já experimentou. 

Verdade seja dita, nenhum de nós sabe como será o dia de amanhã, mas talvez aí esteja afinal a beleza da vida. Em se sonhar com o desconhecido e dar o melhor de nós para tal. Essa é a lição que Jojo nos passa de uma forma belíssima através de quatro mulheres fortes e presas a esperança de dias melhores. 

Que não nos falte esperanças, e força suficiente para encarar o desconhecido, e desta forma tornar os nossos sonhos em realidade. 

Minha nota: 8,5




sexta-feira, 5 de maio de 2017

"Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo." - Resenha do livro "O segredo do meu marido" - Liane Moriarty

"...Ela virou o envelope. Estava lacrado com um pedaço de fita adesiva amarelada. Quando a carta tinha sido escrita? Parecia velha, como se tivesse sido anos antes, mas não havia como saber ao certo. Imagina que seu marido tenha lhe escrito uma carta que deve ser aberta apenas quando ele morrer. Imagine também que essa carta revela seu pior e mais profundo segredo - algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você encontra essa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo..."

Comecei a ler "O segredo do meu marido" pensando que, apesar de se afastar um pouco dos meus romances habituais, seria uma outra história banal sobre mentiras, e nada muito surpreendente. Não poderia estar mais enganada. A obra de Liane Moriarty se mostrou ser um verdadeiro suspense, revelando a cada capítulo um nova trama perturbadora, tecendo um final um tanto quanto chocante e inesperado.

A história começa nos apresentando Cecilia e seus dramas familiares. A principio o leitor fica um pouco aturdido com a quantidade de informações aparentemente irrelevantes que a autora joga na narrativa, mas tudo faz completo sentido conforme a história vai revelando seu verdadeiro pano de fundo. Liane descreve quase de maneira exata como funciona nossa cabeça naqueles momentos em que nem estamos muito preocupados em pensar. Parece que tudo faz parte de seu plano de mostrar que as personagens do livro são de fato banais. Mães de família, esposas dedicadas, mulheres comuns vivendo vidas extremamente monótonas e "sem sal".

Cecilia sempre deu tudo de si para suas três filhas e seu marido. É uma mulher dedicada ao seu trabalho como vendedora de Tupperware, e ganha muito bem trabalhando com isso, obrigada. É super ativa nas questões da sociedade e completamente apaixonada pelo seu marido. Cecilia vive uma vida de propaganda de margarina.

Após conhecer Cecilia e sua vida exemplar, nos deparamos com Tess, uma mulher que nunca pensou que havia nada de errado em seu casamento, e jurava que era super feliz com seu marido Will e seu filho Liam, convivendo pessoalmente e profissionalmente com sua prima e melhor amiga Felicity, uma ex obesa que deu uma guinada na vida emagrecendo tanto que ficou parecida com uma modelo de passarela. Um belo dia, Tess descobre que sua prima e seu marido se apaixonaram, e estão pensando seriamente em seguir uma vida a dois sem Tess e Liam presentes para atrapalha-los.

Quando estamos começando a entender a dinâmica da vida de Tess, e seu derradeiro acontecimento de traição dupla, somos apresentados a Rachel, uma mulher de meia idade, que vive sozinha e trabalha alguns dias da semana em uma escola católica na Austrália. Rachel acaba de descobrir que seu filho e sua esposa Lauren irão se mudar para Nova York, e levar seu pequeno e amado neto na bagagem, deixando Rachel literalmente abandonada, visto que ela tenta superar a mais de 20 anos o falecimento precoce de sua filha Janie, que foi morta ainda quando adolescente, e a polícia local nunca conseguiu descobrir a identidade de seu assassino.

A história muda quando Cecilia sem querer, encontra a carta escrita por seu marido, que promete entrelaçar de uma maneira tensa e irreversível a história destas três mulheres.

O segredo de meu marido é como uma árvore. No topo você se depara com várias informações sendo apresentadas sem muita conexão - muitos nomes, personagens, histórias e eventos cotidianos. Ao longo da história essas informações vão se juntando até enraizar de vez uma narrativa que entrega um final justo e fantástico. Um livro que tem tudo para ser clichê, mas que se torna uma agradável surpresa ao final.

O livro te faz refletir sobre valores, ética e moral. Até que ponto uma mentira pode definir a vida de outras pessoas, e como devemos agir quando essas mentiras são colocadas em prova, e podem novamente mudar a vida de muitas pessoas?

Aos santos do pau oco, aos abnegados de todas as religiões, aos probos e moralistas de plantão, principalmente os que se vestem de puros e éticos, em codinomes criativos nos conflitos inúteis nas redes e nos fóruns de discussão virtual, tenho uma má noticia para compartilhar com vocês: Enganar, fraudar e mentir são uma forma evolutiva de sobrevivência. Porém quando cultivamos, cometemos e escondemos uma mentira, isso traz um efeito devastador sobre nossas vidas.

O pecado vira um segredo, que como consequência vira uma mentira, e este conjunto de substantivos passam a trabalhar o tempo todo contra nós, e nos fazem absurdamente mal. Muitos se fecham em copa, e não falam com absolutamente ninguém sobre seus segredos, e esta, acreditem, é a solução encontrada por muitos para tentar em vão colocar uma pedra em cima de seus pecados, mas sabemos que quanto mais tentamos escondê-los, mas complicada fica a situação para nós. É como se a vida fosse nos colocando obstáculos, para que nosso segredo não se mantenha tão em segredo assim.

Não sou muito fã da Bíblia, mas existe uma passagem que diz "Aquele que tenta esconder seus pecados jamais prospera, mas aquele que confessa, alcança a misericórdia."

Os segredos podem destruir um casamento, uma carreira profissional promissora, ou mesmo uma vida inteira. Fora a destruição, junto vem a culpa de saber que o segredo poderia ter ajudado ou prejudicado outras pessoas, e você é o único que tem o poder de mudar vidas ao seu redor, simplesmente porque escolheu sozinho e de forma egoísta não assumir seus próprios erros.

Para mim, o livro fala justamente sobre por que é tão difícil assumir os próprios erros. Essa afirmação, além de intrigante, é também muito reveladora. Quando somos criticados ou quando alguém aponta alguma falha nossa, buscamos nos esconder atrás das muralhas da nossa própria mente. Tendemos a erguer o escudo e nos defender dos ataques alheios, mesmo sabendo que falhamos e agimos de forma errada. Nossa mente se fecha, ativa mecanismos neuro - defensores como se fosse uma verdadeira aranha armadeira, encurralada pelo seu pior inimigo, e pronta para dar o bote. Afinal a frase de que somos nossos próprios inimigos, é mesmo verdadeira, concordam?

Assumir os próprios erros soa, aos ouvidos alheios e para nós mesmos como fracasso. O fracasso fere nosso ego, e nos diminui perante uma sociedade que vive debaixo da máscara da mentira. Aqui volto para o inicio da reflexão, onde menciono que mentir é uma ferramenta de sobrevivência. Vivemos em um mundo mascarado de mentiras, onde ouvir certas verdades chega a ser um insulto ao nosso próprio orgulho. Somos muito apegados aos elogios, e nos esquecemos de que são as criticas que na verdade nos fortalecem e nos edificam. É preferível mil vezes ouvir uma verdade que doí, a uma mentira que literalmente mata. 

Assumir nossos próprios erros é abdicar da autossuficiência que nos prende. Sentir-se dono da verdade ou mesmo achar que sabe tudo é a pior ignorância que um homem pode ter. Quem nunca errou, também nunca descobriu algo.

Por que é tão difícil para um pai ou para uma mãe assumir seus erros diante de seus filhos? Por que é tão difícil assumirmos nossos erros perante nossas esposas e maridos? Por que será que o feedback assusta tanto as pessoas? Vergonha? Medo? Culpa?

Posso afirmar que neste livro você vai se deparar com muitos dilemas que envolvem os sentimentos de vergonha, medo e culpa, mas no final a lição que fica é que os fortes transformam seus erros em insumos para suas vitórias e aprendizados, e os fracos vivem sob os escombros dos seus próprios erros.

"Consciência é como uma pedra de três pontas, se agimos mal, a pedra rola, e a consciência doí. Mas se continuarmos agindo errado, a pedra esmerilha e já não há mais dor."

Minha nota: 9,0

quinta-feira, 16 de março de 2017

"Enquanto o ser humano der mais valor ao materialismo do que aos aspectos morais, o verdadeiro amor pouco há de existir." - Resenha do livro "O Som do Amor" - Jojo Moyes

Toda vez que começo a ler um livro da Jojo Moyes, me pego esperando uma narrativa emocionante e reflexiva. A autora sempre consegue através de seus personagens nos fazer pensar na nossa própria vida, e como nossas escolhas trazem consequências enormes e algumas lições muito valiosas. 

O Som do Amor nos faz refletir sobre união familiar, o valor de uma segunda chance, mas principalmente sobre materialismo e aquele tipo de ganância que corrói a alma. Invés de um romance arrebatador, encontramos nesta obra uma história de pessoas machucadas por um tipo de amor simbiótico e cruel, que mente, traí e subjuga. Eu diria que ao final deste livro, aprendemos um pouco mais sobre recomeços, que todos nós, maltratados ou não pela vida, merecemos. 

A história gira em torno da Casa Espanhola, uma construção antiga e maravilhosa situada no interior da Inglaterra, mas que por falta de cuidados está literalmente caindo aos pedaços. O velho proprietário da mansão, um senhor ranzinza e solitário, há anos recebe atenção e cuidados de sua jovem vizinha, Laura. Mesmo que para alguns, Laura e seu marido Matt pareçam caridosos e amorosos, no fundo o casal possui grandes planos para herdar a Casa Espanhola para si próprios. 

Todos os sonhos deste ambicioso casal acabam indo por água abaixo, quando chega à cidade, Isabel, uma jovem viúva e mãe de dois filhos, que acaba de herdar a Casa Espanhola após o falecimento repentino de seu antigo dono. 

Isabel se encontra em ruínas, e sem condições de manter o padrão de vida que sua família levava em Londres. Primeiro violino na Orquestra Sinfônica Municipal, Isabel tinha uma vida tranquila com seus dois filhos, Kitty e Thierry, mas tudo virou de cabeça para baixo quando seu marido Laurent morre em um acidente de carro, e deixa uma grande dívida para a sua família. Ao receber a notícia que herdou uma casa no interior, Isabel resolve colocar sua atual casa a venda, e se mudar com os filhos para a Casa Espanhola, que está em condições extremamente precárias, porém ela não sabe que Matt vai tentar a qualquer custo impedir que Isabel finque suas raízes na casa que ele acredita que lhe pertence. 

Ao longo do livro conhecemos muitas histórias e muitos personagens, todas eles sempre interligados pela Casa Espanhola, o verdadeiro objeto material responsável por todas as reviravoltas que nos deparamos capítulo a capítulo. Laura e Matt passam seus dias planejando projetos arquitetônicos e roteiros para grandes festas na Casa, porém possuem um casamento fracassado e vivem praticamente de aparências. Conhecemos também os típicos moradores simpáticos de uma cidade do interior, e como todos são afetados pela chegada de Isabel e seus filhos, além de nos aprofundarmos na história da própria jovem viúva e sua luta contra a depressão, seus filhos que carregam grandes traumas pela morte do pai, e personagens que ganham formas e nomes ao longo das páginas, todos almejando a Casa Espanhola por causa apenas de poder e dinheiro. 

Jojo Moyes consegue retratar o conceito de posse, mostrando ao leitor quanto um bem material pode corromper a alma humana. É incrível observar o que todos esses personagens estavam dispostos a fazer para possuir a Casa, e ao mesmo tempo é doloroso perceber o quanto a mente humana é suscetível ao erro por tão pouco. 

A grande protagonista desta história é Isabel. Acompanhamos sua insegurança e medo a cada página lida. Isabel é uma mulher que se encontra completamente perdida, não sabe fazer praticamente nada sozinha, pois passou a vida se dedicando apenas a música, e se vê em uma situação fatidicamente ruim, onde não tem controle nem sobre seus próprios filhos. Sozinha e desamparada em uma casa que está prestes a cair esfarelada no chão, Isabel tem que lidar com a falta de dinheiro, o desemprego, o fato de não conhecer seus filhos o quanto deveria, e milhões de responsabilidades. O ponto é que Isabel erra o tempo inteiro, se prioriza em muitos momentos, e literalmente foge da situação tocando seu violino para esquecer o que precisa ser alterado e realizado. Isabel nada mais é do que uma humana, repleta de erros e decisões mal tomadas, mas mesmo totalmente fragilizada e quebrada por dentro e por fora, nossa protagonista aos poucos vai descobrindo o real significado da vida, e passa a demonstrar pequenas forças dignas de algumas boas lágrimas. 

Quem somos nós para julgar Isabel e suas impensadas ações? Quantas vezes não fugimos de nossos problemas e colocamos todos eles como pó embaixo de um tapete, para depois resolver fazer uma faxina em nossas vidas?

É por causa da Casa Espanhola que Isabel amadurece, cria forças para superar o luto e passa aos poucos a conhecer os filhos de verdade, e principalmente a ouvir o próprio coração e entender seus sonhos aquém de sua música e seu violino. 

Claro que não vou entregar o final desta história e nem mencionar todos os personagens e como suas histórias se entrelaçam, o melhor do Som do Amor é ser surpreendido pelo seu desfecho digno, justo e bonito. 

Mas o que posso levar dessa obra é uma reflexão sobre valores. Durante nossa vida, aprendemos a valorizar coisas que não são fundamentais. Materialismo, poder, status e coisas deste tipo são o que infelizmente importam na nossa sociedade. O Som do Amor nos convida para uma verdadeira revolução de alma. 

É nesta revolução que eu pude tirar algumas boas lições: É preciso investir na alma, resgatar não só a natureza, mas o que é natural. Não filtrar as emoções, enriquecer a inveja, mas sim contabilizar as boas relações. Reciclar as relações ruins e preservar as boas e velhas amizades. Equipar o prazer, trabalhar com perseverança e vencer constantemente o cansaço da vida. Fazer a diferença sem precisar fazer propaganda disso. Resolver o que precisa ser resolvido sem alarde, usar o marketing da sinceridade e cobrar profissionalismo de todos. Maximizar energia, preservar recursos, renovar os estoques de sorrisos, canalizar sempre os bons pensamentos, abraçar e demostrar amor. Dizer não ao racismo, a intolerância, a discriminação, ser saudável fisicamente e mentalmente. Dar bons exemplos. Dizer sempre a verdade, principalmente para as crianças, para que elas cresçam sabendo o que é acreditar. E agradecer, sempre, por cada percalço, por cada conquista, por cada dia que vamos acordar e enfrentar a beleza que é viver. 

Casa Espanhola, você foi abrigo para muitas mudanças interiores dos personagens desta bela obra, afinal de contas a melhor reforma é a reforma da vida, aquela que temos constantemente a oportunidade de alterar, limpar e renovar.

Minha nota: 7,5

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

"Às vezes surge um cão que verdadeiramente toca a sua vida, e você jamais consegue esquecê-lo." - Resenha do livro "4 Vidas de um Cachorro" - Bruce Cameron

4 Vidas de um Cachorro conta a história de um cãozinho que busca o sentido de sua existência, ou melhor, de suas várias existências. 

Inicialmente nascido como um vira-lata, ele experimenta ao lado de uma mãe e dois irmãos, diversas aventuras e dificuldades de um cão de rua, que constantemente precisa lutar por alimento e fugir dos perigos conhecidos como humanos. Mas esta primeira experiência não é lá muito longa, e logo ele se vê como filhote novamente, com uma nova mãe e novos e muitos irmãos. 

Em sua segunda vida, nosso protagonista é um Golden Retriever, que acaba no lar do menino Ethan. Chamado de Bailey Bailey Bailey, o cãozinho tem nessa vida um dos seus maiores aprendizados: amor, companheirismo, proteção e fidelidade. 

Bailey literalmente cresce ao lado de Ethan, compartilhando com ele vários momentos importantes na vida de uma criança. A primeira briga de mão, o primeiro amor, o divorcio de seus pais e o dilema da escolha da faculdade. Depois de longos anos ao lado de seu melhor amigo, ou como Bailey gosta de chama-lo, "o seu menino", nosso super cão acaba morrendo bem velhinho, feliz por ter terminado sua jornada podendo vivenciar o mais puro sentimento de amor e carinho. 

Sem entender muito bem o porque, Bailey volta como um filhote de pastor alemão, desta vez para ser mais exata, como uma cachorra fêmea. Chamada de Ellie, nossa nova protagonista vai desempenhar um importante papel como cão de resgate na policia civil. Ellie é treinada desde filhote, e possui um faro extremamente aguçado, e ao lado de seu primeiro dono, o policial Jakob, e posteriormente a policial Maya, Ellie salva muitas vidas em diversas situações de perigo. 

O grande dilema que nosso cão enfrenta como Ellie é qual seria o propósito de sua vida canina em voltar tantas e repetidas vezes  como cães totalmente diferentes em circunstâncias totalmente diferentes? Claro que nosso amoroso e afetivo cão lembra de absolutamente cada detalhe de todas as suas vidas passadas, e sofre por não ter podido voltar como o fiel escudeiro de Ethan. Mesmo sentindo imensas saudades do seu menino, nosso cãozinho permanece fiel ao seu novo objetivo de vida, pois consegue enxergar em Ellie um sentido para viver, ele agora é um cão que salva vidas, e é extremamente grato por isso. 

Novamente Ellie morre, desta vez também bastante idosa, porém tendo desempenhado uma vida muito plena e satisfatória. Para sua surpresa, quando abre os olhos, nosso cão é novamente um filhote, desta vez vivendo em um canil que vende cachorros a preços bem exorbitantes. Acontece que desta vez, nosso cão parece deprimido e não enxerga o porquê retornou novamente a vida, vivendo prostrado em um canto, sem querer socializar nem com seus irmãos e nem com nenhum humano. 

Para despachar rapidamente o único cão que não foi vendido na ninhada, o dono do canil praticamente o dá de graça para um rapaz esquisito, que resolve presentar a namorada com um cachorro. Acontece que essa namorada não é lá uma pessoa muito organizada, e deixa nosso cão a ver navios, e acaba multada por ter trazido um cão de grande porte para morar em um pequeno apartamento no subúrbio. Sem poder fazer nada a não ser passar seus dias sentindo que sua vida não tem propósito nenhum, o cão que desta vez não tem nem nome, acaba nas mãos de uma família pior ainda que sua primeira e desleixada dona, que decide depois de muito maltrata-lo, abandona-lo em um matagal bem longe do cenário urbano. 

Para sua surpresa, ele acaba exatamente na fazendo onde o Avô e a Avó de Ethan moravam. Quais as chances de finalmente nosso cão entender o seu propósito de vida?

Posso adiantar que o encontro com Ethan acontece de uma maneira muito emocional, e desta vez nosso querido cão ganha pelo seu menino o nome de Amigão, e é nesta vida que ele finalmente entende o porque de ter retornado exatas quatro vezes, e a forma como aprendemos sobre propósito de vida com Bailey, Ellie ou Amigão é sutil, porém muito bonita e extremamente reflexiva. 

Ler 4 Vidas de um Cachorro é rir e chorar o tempo todo. A narrativa é toda feita do ponto de vista do cão. Para quem tem cachorro, por várias vezes já imaginou o que ele poderia estar pensando em determinados momentos chaves de nossa relação com eles. Acompanhar as descobertas  do filhote e suas boas intenções ao fazer o que os humanos interpretam como travessuras é muito divertido e rende ótimos momentos ao leitor. 

Tirando de lado todos os aspectos dramáticos que compõe esta linda história, este inocente porém muito esperto cãozinho nos ensina algo que poucos humanos ainda conseguiram compreender: o que é propósito de vida? Porque vivemos? 

Imagine um martelo. Ele foi desenhado para bater pregos, certo? Agora imagine que o martelo nunca é usado, fica simplesmente jogado e esquecido dentro da caixa de ferramentas. Pense que o martelo possui uma alma, uma consciência própria, e passam-se dias e mais dias e ele continua dentro da caixa de ferramentas sem algum propósito de existir. Ele se sente meio estranho, mas não sabe exatamente o porquê. Alguma coisa definitivamente está faltando para ele, mas o que seria?

Então um dia, alguém o retira de dentro da caixa e o usa para quebrar alguns galhos para pôr na lareira. O martelo fica cheio de alegria. Ser segurado, utilizado para algum fim é bastante satisfatório. No final do dia entanto ele se sente insatisfeito. Bater nos galhos foi divertido, mas não o bastante. 

No decorrer dos dias, ele foi utilizado frequentemente. Desamassou uma calota, despedaçou algumas pedras, colocou o pé de uma mesa no lugar. Mesmo assim, ele continua infeliz. Ele anseia por mais. Ele quer ser usado o máximo que puder para bater nas coisas ao seu redor, para quebrar, despedaçar e amassar. Ele descobre que ainda não experimentou o bastante desses eventos para se sentir completo.

Chega o dia em que alguém usa o martelo num prego. De repente, uma luz invade a alma do martelo. Ele agora consegue entender para que verdadeiramente foi projetado. Foi feito para bater pregos. Agora ele sabia o que sua alma de martelo estava buscando por tanto tempo.

Assim como o martelo ou o nosso cãozinho, todos temos um propósito na vida. E por mais que as vezes não conseguimos enxergar isto, existe um propósito para que tenhamos vindo a este planeta neste determinado momento da história. 

Engana-se quem entende que propósito precisa necessariamente ser algo grandioso e espetacular. Propósito é nada mais nada menos que cumprir com dignidade a trajetória que escolhemos realizar nessa nossa passagem pela Terra.  

Ocorre que muitas pessoas, apesarem de terem uma vida tranquila, sem grandes problemas de natureza material, sentem um vazio, como se lhes faltasse algo importante, que elas não conseguem definir o que seria.

De um modo geral, quando isso acontece, é porque elas não estão vivendo em consonância com os anseios de sua alma, e sim seguindo padrões estabelecidos pela sociedade. E porque não voltar várias e várias vezes até conseguirmos acertar o caminho certo? Tirando de lado as crenças religiosas, a vida nos dá diversas chances, concordam?

Para que possamos viver realmente em sintonia com o nosso propósito de vida, devemos antes descobrir do que precisamos para nos sentir verdadeiramente felizes. Que tipo de atividades realizamos, a espécie de relacionamentos que estabelecemos e a postura que temos diante da vida. Estes foram alguns parâmetros que Bailey no final de algumas tentativas indo e voltando a vida determinou para ter a sua resposta final. E é exatamente o que todos deveríamos fazer invés de procurar apenas pela felicidade.

A grande lição que fica ao final desta prazerosa leitura é que é preciso se renovar constantemente, possuir a determinação de viver uma vida plena  dentro daquilo que nos propusemos a realizar, pois assim o sentimento de vazio com certeza não existirá e será altamente substituído por uma sensação de equilíbrio, harmonia e paz interior.

Independente desta lição vir no formato de um cachorro, que nem sempre consegue ter um grau de compreensão tão grande como um ser humano, o bacana de refletir sobre a conclusão desta obra, é que por justamente não ser complexo como um ser humano, é que este fantástico cão usou apenas de um sentimento puro, o amor, para descobrir o seu propósito de vida.

Talvez o que afinal falta para nós humanos para chegar a conclusão que o Bailey chegou, é a falta de usar o sentimento mais nobre do mundo em nossas ações.

Bailey, Bailey, Bailey, você tocou tão profundamente a minha vida, que eu realmente não vou conseguir esquecê-lo.

Para homenagear estes seres absurdamente puros e quem tem muito a nos ensinar, deixo para vocês a foto da minha Bailey, aquela que através de suas travessuras, lambidas e amor incondicional, me ensina diariamente a buscar por aquilo que eu amo.


Minha nota: 10

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

"Tudo tem começo e meio. O fim só existe para quem não percebe o recomeço." - Resenha do livro "Uma Curva no Tempo" - Dani Atkins

"Algumas amizades resistem a qualquer distância, separação ou negligência."

É falando sobre amizade que começo a resenha do único livro escrito por Dani Atkins. Tudo se inicia quando nossa protagonista Rachel, está prestes a se separar dos seus amigos depois do fim do ensino médio. Ao todo, seus amigos formam um grande grupo que se conhece a muito tempo, e assim compartilham muitos momentos juntos. 

Rachel e Jimmy além de vizinhos, são melhores amigos desde pequenos, o que fez com que sempre se sentissem muito a vontade um com o outro. Além de Jimmy, Rachel namora Matt, que também faz parte do grupo de inseparáveis amigos, mas é em Sarah que Rachel têm sua melhor amiga. Cathy, a amiga do grupo que mais se parece uma modelo de passarela de tão linda, se junta a Phil e Trevor para fechar este grupo tão seleto de amigos. 

 Perto de se separarem para encarar a vida universitária, este grupo de amigos marcam de jantar juntos em um restaurante no centro da pequena cidade de Great Bishopsford. Em algum momento entre uma garrafa e outra de vinho, Jimmy convida Rachel para ir depois para a sua casa, dizendo que precisa conversar com ela e lhe contar algo muito importante. Todavia, no que seria supostamente a última noite em que todos estariam juntos, um grave acidente acontece. 

Rachel, que estava sentada na mesa em um lugar muito próximo a janela do restaurante, ouve Matt gritando que um carro a 100 km por hora estava vindo em direção a eles de forma descontrolada. O choque é tão grande que em meio a confusão de todos correndo para salvar suas vidas, Rachel se percebe presa entre as cadeiras que caíram no chão. Neste momento é Jimmy quem volta até a mesa para puxar Rachel e salva-la. Numa inversão de papeis, Rachel consegue se desvencilhar das cadeiras, enquanto Jimmy acaba sem vida, tornando este o começo de uma vida traumática para todos os presentes naquele jantar. 

Passam-se 5 anos e Rachel agora está com 23 anos de idade. Como consequência do fatídico dia do acidente, ela carrega uma grande cicatriz no rosto e dores de cabeça constantes. Sua vida em nada foi como esperado e sonhado em sua adolescência. A perda de seu melhor amigo Jimmy fez uma enorme cicatriz também em seu coração, e por sentir-se extremamente culpada, ela acabou terminando seu relacionamento com Matt na época do acidente, nunca mais voltou a sua cidade natal e também não cursou a faculdade de jornalismo que tanto queria. Seu pai está com câncer e Rachel mora e trabalha em Londres como secretária em um escritório de advocacia. 

A única razão que a leva a voltar a Great Bishopsford é o casamento de Sarah, e nesta visita à cidade, Rachel decide visitar o tumulo de Jimmy certa noite, sozinha. No cemitério ela começa a se sentir mal, sentindo as dores de cabeça de forma muito intensa. Sem sinal no celular para pedir ajuda a alguém, Rachel cai e apaga completamente. 

Quando ela acorda, está em um quarto de hospital com seu pai ao lado de sua cama. Ao abrir os olhos, Rachel percebe que seu pai está completamente bem. Quando nossa protagonista em completo desespero começa a questionar como que o pai se curou do câncer, o mesmo ri e diz que ele nunca ficou doente. Confusa com os acontecimentos derradeiros, a primeira pessoa a visitar Rachel no hospital é seu amigo Jimmy, que agora é um policial na cidade natal. Não chocante o suficiente, Rachel descobre que está noiva de Matt e leva uma vida extremamente bem sucedida como jornalista em uma renomada revista em Londres. Rachel, confusa e diagnosticada com amnésia, passa os capítulos restantes do livro tentando provar a todo custo que aquela vida apesar de maravilhosa, não é a sua verdadeira vida. 

Com Jimmy tentando acreditar na versão de sua melhor amiga, ambos iniciam uma grande aventura para alcançar a verdade, e aquele tão importante assunto que eles tinham a conversar depois do jantar de despedida, acontece, e o livro finaliza de uma maneira completamente inesperada, porém com a mensagem de que o tempo é mesmo o nosso melhor amigo, afinal de contas. 

Por ser o primeiro e único livro da autora, Uma Curva no Tempo tem um bom desfecho, um tanto quanto surpreendente e nada clichê, mas ao final esta obra nos deixa uma bela reflexão sobre escolhas, sobre como optamos por viver perante os acontecimentos da vida, e o que fazemos quando a mesma nos dá uma nova chance de mudar. 

Existe algo com que mais convivemos em nossas vidas do que escolhas mal feitas? Todos nós, desde cedo, aprendemos a conviver com os erros que cometemos e com as consequências que os mesmos nos trazem. É através deles que aprendemos a distinguir o que é certo e errado para nós, o que podemos ou devemos fazer. É através deste eterno aprendizado, entre erros e acertos, que moldamos principalmente o nosso caráter, que aprendemos a viver uma vida plena. 

Todo acerto nos eleva, como todo erro nos ensina. Independente de como, a verdade é que todos merecemos uma segunda chance. 

Não importa onde paramos. Em que momento da vida nos cansamos. O que importa é que sempre é possível e necessário recomeçar. Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida, e o mais importante, acreditar em si próprio de novo. Sofrer é aprendizado. Chorar é limpeza de alma. Sentir raiva do outro é para que um dia possamos perdoa-lo e nos sentir leve novamente. Sentir-se só é quando fechamos todas as portas para as possibilidades. Acreditar que tudo esta perdido é uma chance de iniciar uma melhora para a nossa vida. A hora de iniciar é sempre agora, de encontrar prazer nas coisas simples.

O tempo pode nos trazer uma pequena curva em nossa história que nos faz pausar e ir mais alto, sonhar mais alto, querer o melhor independente de como a vida até então nos levou a viver. 

O protagonista desta história não é Rachel e seu grupo de amigos, mas sim o tempo, a curvatura que ele usou e usa sempre para nos dar uma única lição: Nós somos seres apaixonáveis, sempre capazes de amar muitas e muitas vezes. Afinal de contas, nós somos o amor. E quando temos amor, podemos sempre recomeçar. 

Que tal todos pararmos de olhar apenas a linha reta que está sendo a nossa vida até então, e nos permitir fazer uma curva para a direita ou para a esquerda, e enxergar de um outro angulo como podemos fazer novas escolhas?

O fim da estrada só existe para quem não percebe o recomeço constante dela. 

Minha nota: 8,5